Tchau, 2008.

Era uma tarde comum. Uma garota desenhava tranqüilamente nas páginas do caderno, pois os desenhos alegravam os sistemas de equações. Ah, os malditos sistemas. Eles haviam garantido a média mais baixa da vida dela em matemática no semestre anterior. E, agora, voltavam á assombrá-la, ainda mais complicados, com um método de resolução totalmente novo.
O ensurdecedor barulho do sinal ecoou pela escola. Ela sorriu. Fechou o caderno. Observou a professora magricela e desajeitada, com seus cabelos aloirados, que aparentavam não ver a cor da água (é, eu sei que água é incolor) havia um bom tempo. Logo em seguida, arrastou uma cadeira para perto das amigas, e começaram á conversar sobre coisas. Alguns minutos depois, o professor – um homem baixinho, de cabelos encaracolados e com um dente de ouro que insistia em refletir a luz do sol que entrava pela janela – entrara na sala. A garota arrastou sua cadeira de volta ao lugar. Abriu o caderno na matéria de ciências. Pegou o livro. E por um instante, lhe passou pela cabeça que, no ano seguinte, veria o professor ainda mais vezes, já que física e química seriam incluídas em seu currículo escolar obrigatório.
Como se lesse os pensamentos da garota, o professor começara á falar sobre a oitava série.
Sobre os assustadores cálculos que estariam incluídos na 8ªsérie. Sobre os casos de provavel futura reprovação. Sobre as últimas chances de quem estava com notas ruins. Isso tudo antes de passar o último trabalho escrito do ano.

E, assim, o medo se instalou na mente daquela garota. A insegurança. O medo. As transformações. Não era apenas uma nova série que estava por vir. Era também um novo ano. Novas pessoas. Novos professores. Novos livros. E, o que era mais assustador: As mudanças não se estendiam só á escola. Era o insuportável carnaval. Eram novas festas. Novos sorrisos. Novos problemas. Tudo novo.
Então, a garota lembrou de tudo o que aconteceu em 2008. E se deu conta que aconteceram mais coisas do que deveriam. E que o ano finalmente estava em sua reta final. Lembrou-se da decepção do colégio onde passara toda a sua vida. Lembrou-se que naquele colégio, os professores se tornaram péssimos. Afinal, onde estava a senhorinha que ensinava tão bem a matemática? Havia sido substituída por um homem que mal sabia fazer uma raiz quadrada sem usar calculadora. Onde estava aquela professora de geografia que ensinava bem, ao mesmo tempo que cometia pequenos erros sutis, os quais eram impossíveis de serem imperdoáveis? Havia sido substituída por uma mulher grossa, sem educação, que queria ensinar até como se cortava um papel. E, como se não bastasse, por um momento emo, a garota cometeu o erro mais grotesco do mundo – pelo menos no novo universo adolescente, ao qual ela passara á pertencer – dizer que queria voltar para casa naquela fatídica tarde de verão, simplesmente porque não tinha permissão dos pais para ir á casa da amiga para fazer uma droga de trabalho. Foi o suficiente para que as amigas – já integradas naquele mundo adolescente – rissem, chamando-a de careta, idiota, e rindo mais ainda. E foi o suficiente para que ir á escola se tornasse insuportável.
E, como a vida é cheia de ironias, a garota mudou para um colégio perto da sua casa, o mesmo colégio verde claro, ao qual ela se referiu alguns anos atrás como “O colégio no qual eu nunca vou estudar”. Simplesmente pelo o que eu havia ouvido falar – que a taxa de reprovação dos alunos era alta, motivo pelo qual era comum ver alunos de dezesseis anos na quinta série – e eu acabei descobrindo que estava errada. Que o novo colégio era melhor do que o antigo. Os professores eram melhores. O ensino era melhor. O colégio era melhor. As pessoas eram melhores. Ou, pelo menos, sete delas eram. As sete meninas que fizeram do meu ano um ano inesquecível.

O ano não havia acabado. Mas, para a garota, já era um ano inesquecível, em que ela finalmente reconhecera o valor de uma amizade verdadeira – algo que ela experimentou pela primeira vez.

Por isso, Luciana, Kananda, Pollyanna, Vânia, Larissa, Vanessa, Kinberly. Esse post é pra vocês, que fizeram do meu 2008, O ano, em que eu finalmente aprendi o valor de uma amizade sincera, sem mentiras, sem falsidade. Apenas uma amizade.

E, assim, se o ano acabasse hoje, eu – ou a garota da história – poderia dizer “Tchau, 2008!”, com um sorriso no rosto, uma lágrima nos olhos, e o melhor sentimento do mundo no coração.

P.S.: Nesse post, me refiro ás pessoas que conheci esse ano. Aqui não incluo Dayane, Carol, Poia e nem Vitorenga. Um dia, eu crio um post pra todas as pessoas que eu amo, amém.

—————————————————————-

Vagando pela net, encontrei as 365 perguntas. A idéia seria postar uma por dia, mas, vou postar dez perguntas em cada post. Então, á partir de hoje, em cada post, vocês verão uma linha tracejada como essa, e logo abaixo, as dez perguntas do dia.

001/365 – Aonde ou como você quer estar daqui há 5 anos?
Desde que eu esteja me preparando pra ir pra alguma Universidade no exterior, tá ótimo.

002/365 – Se você pudesse ter outro nome, qual seria?
Manuela.

003/365 – Que bicho você gostaria de ser e pq?
Enquanto a espécie humana existisse, eu não gostaria de estar na pele de bicho nenhum.

004/365 – O que você gostaria de fazer para mudar o mundo?
Quais são as alternativas?

005/365 – Você tem o poder para criar qualquer máquina que desejar. Qual máquina você iria criar?
Eu peço a ajuda dos universitários.

006/365 – Quando você era criança, qual era a profissão que você queria ser?
Médica, depois bailarina, depois dentista, depois médica, depois analista, depois psiquiátra, depois escritora, depois médica e escritora, depois jornalista, e depois jornalista e escritora.

007/365 – Que lugar do mundo você gostaria de morar?
Portugal.

008/365 – Se você tivesse 10 horas a mais no seu dia, o que você faria?
Eu vou perguntar pra minha mãe e já volto.

009/365 – Quem você gostaria de conhecer? Essa pessoa pode estar viva ou não.
A Katilce, a menina que lascou um beijo no Bono no show do U2.

010/365 – Como você pretende passar o tempo que lhe foi dado viver sobre a Terra?
Prefiro não comentar.

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5 Respostas so far »

  1. 1

    Nana n,~ said,

    Oi flor!
    Ah não tem como melhor que viver e ter recordações, sejam elas boas ou ruins, mas são elas que são a razão da nossa vida, de sempre estar buscando o melhor.
    Espero que nosso 2009 seja muito mais marcante que 2008.
    Onde vejo essas perguntinhas? Sempre ouço falar delas, agora fiquei curiosa.
    Bjos!

  2. 2

    Alice said,

    já vi vários blogs amigos com essa missão de ir postando aos poucos as perg. e resposta! ^^
    =*

  3. 3

    Gaabi said,

    uh, oitava série é dose ):

  4. 4

    Rafa said,

    Aaah, interessante a idéia das perguntas! Como meu blog tá meio paradão, prá mim seria uma boa! 😀
    Gostei do texto. Você até que escreve bem prá sua idade ^^
    Beijão!

  5. 5

    Mari said,

    eu nao reconheci o zac effron até ler sobre o lay na coluna lateral…haha! ele está bem diferente, e…bonitao =)

    seus textos continuam belos como sempre; deixo de comentá-los às vezes porque simplesmente não sei o que dizer de útil…

    sempre me pergunto, sobre alguns deles, se são autobiográficos, e se for o caso, quanto eles têm de autobiografico…este aqui está claro!

    como é bom ter ótimos amigos, que nos fazem aproveitar tudo melhor.

    365 perguntas?! nossa!


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