Medos infantis – Parte I – O careca do Bombril

Toda a criança tem medo de alguma coisa. Eu, como uma criança, não era diferente.

Era uma noite comum. Lá estava eu, com meus quatro ou cinco anos, em frente á televisão. Recordo-me que eu era completamente viciada em Cartoon Network. Eu sabia a programação de trás pra frente, de cor e salteado. Eu sabia o nome de todos os personagens, de todos os desenhos, até mesmo dos animes, chamados (erroneamente) por mim de “Desenhos de luta”. Enfim.
Naquele dia (ok, era noite, mas quem se importa?), eu fiquei até mais tarde em frente á televisão. Meus pais foram dormir, e eu continuei lá. Queria me aventurar na programação da madrugada, a qual eu nunca havia assistido. Queria saber que mistérios guardavam os místicos programas madrugueiros. Eu queria saber por que razão os desenhos da madrugada passavam enquanto metade do mundo dormia. Eu queria me aventurar naquela programação tão… aventureira. Queria ser a única criança (afinal, que criança estaria vendo tv ás duas da madrugada?) á assistir tv de madrugada. Queria superar aquela irritante “hora de dormir”. Queria superar aquela barreira, porque eu sabia ue nenhuma barreira era intransponível para uma criança, POIS CRIANÇAS NUNCA DESISTEM!
Ou, eu só estava sem sono, não me recordo direito.
Então, lembro-me que começou um programa que eu nunca tinha visto: “Space Ghost – costa á costa”. Um programa de entrevistas apresentado por… Space Ghost.
Space Ghost nunca foi famoso. Pelo menos, não famoso como o Super Homem ou o Batman. Ninguém fez produções milionárias com o Space Ghost. Pobre Space Ghost. Para ele, sobrou apenas um horário noturno num canal infantil. Não que isso venha ao caso.
Para ser sincera, eu não me lembro de nada sobre o programa. Só que o cenário era cinza, e que o Space Ghost tinha uma caneca de café bem mais bonita do que a do Jô Soares.
Ok, vamos direto ao ponto: A programação deveria ser mesmo adulta, porque, pelo o que eu me lembro, teve um comercial falando sobre dengue, um outro falando sobre raiva (sim, a raiva doença, a que dá nos cachorros.) e aquele que me traumatizou:
O comercial do Bombril.
Aquele cenário negro sombrio. Aquele pacote de bombril na bancada. Aquele careca de óculos, vestido totalmente de preto, com seus olhos negros, sua pele branca, e suas ameaçadoras palavras (não que eu me lembre do que ele disse, mas tudo bem). Não tive dúvidas: Saí correndo em direção ao quarto dos meus pais.
E desde então, o careca do Bombril me assustou.
Na pré-escola, lembro-me que a tia Patrícia professora perguntou qual era o maior medo das crianças.
Uma disse que era o bicho papão. Outro, que eram fantasmas. Outro (uma criança bem realista e sem infância, suponho) disse que eram assaltantes. E, ao chegar na minha vez, eu disse:
– Eu tenho medo do careca da propaganda do Bombril, tia.
Foi o suficiente para as crianças caírem na gargalhada. E para eu aprender que jamais, em hipótese alguma, deveria comentar sobre o meu medo.
E assim, ficou decidido: Eu jamais comentaria com ninguém o lado sombrio que eu enxergava no careca do Bombril e no Ronald Mcdonald.
Mas, toda a vez que eu via um careca na rua, apertava a mão da minha mãe, apressava o passo, abaixava a cabeça. Para mim, um daqueles carecas devia ser o careca da propaganda do Bombril.
O medo também era constante quando íamos ao mercado, e entrávamos no corredor de limpeza. Afinal, na minha cabeça, o careca fazia a propaganda do Bombril, logo, deveria comprar Bombril. Hoje eu vejo que ele deveria comprar Assolan, que é mais barato.
Sustentei por vários anos essa fobia pelo careca do Bombril. Até que, a propaganda do Bombril foi trágicamente substituída pela propaganda do É assolan, passou, limpou!

Lembrei do medo recentemente, quando ouvi a contagiante músiquinha…

Me aperta, Me aperta!
Me cheira… Me cheira!
Me chama de Mon Bijou!

No próximo capítulo, acompanhem o meu emocionante encontro com o aspirador de pó – Meu segundo maior medo de infância.

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9 Respostas so far »

  1. 1

    Alice said,

    ah tadinha! o medo já passou? ^^
    =*

  2. 2

    Vicky said,

    Graças á Deus passou AUAUSHAHUSUASUAUSHAUSUAHSUSHU

  3. 3

    Dedê said,

    AUHUAH, medo do tio do bombril eu nunca tive, mas dava maior cagão quando de noite eu olhava na parede e imaginava coisas se formando nela x.x

  4. 4

    Ellen said,

    EHUAUHUAUEHUHAUHSA.
    sempre amei o cara do bombril!

  5. 5

    Anna said,

    Cara, amei o post. Super me identifiquei. Quando eu era pequena também AMAVA cartoon e odiava o fato de cartoon cartoons passarem a noite, na hora do jornal do meu pai. E eu era fã do Space Ghost, e na boa, ainda sou, é um desenho mais adulto e quando eu era criança não entendia porque puxa mais pro lado do sarcasmo… Já assistiu Adult Swim? É a hora dos desenhos adultos no Cartoon, tem uns realmente muito bons, pra quem gosta de humor negro.
    Eu quando pequena tinha medo de um cd da Elis Regina (?) que começava com ela recitando uma poesia, mas ela tinha uma voz grossona que me lembrava a da madrasta da Branca de Neve, haha.
    Beijos

  6. 6

    oi vicky!

    rááárarara! medo do carlinhos bombril, que fenômeno é esse?

    ah! desculpa fenômeno é a assolan! (foi mauz!) rsrs

    tb não tenho vergonha de dizer!

    “EU TENHO MEDO DAQUELE, “JUNINHO BILL DO ZORRA” (aquele do pay!)

    mto medo daquilo! ráárararara!

    bjomeliga!

  7. 7

    Jamile said,

    Oiiii vim aqui rapdinho só para avisar que meu end mudou agora é só http://www.star-pink.com ok Beijos! Fique com Deus!

  8. 8

    Larissa said,

    Eu tinha medo do velho da avêia Quacker (acho que era assim que se escreve). Ele era um padre eu acho mas ele era tão demoníaco Oo
    Esse cara da Bombril também é do capeta, ele fala e olha pra câmera com uma cara tão satânica… Devem ter mensagens subliminares nessa propaganda…
    ;*

  9. 9

    Mah said,

    adorei OSKAOKS
    cara, eu tenho medo de várias coisas assim, muito idiotas.
    mas a da careca supera 😀


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